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Heráclito


vb. criado em 04/07/2013, 21h17m.


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Bio, resumo. Éfeso, -540/-480, primeiro representante da visão dialética do mundo; ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, porque tanto a água como o homem mudam incessantemente. Todas as coisas constituem o um, que, submetido a uma tensão Dialética interna, desabrocha por sua vez no múltiplo, que se reduz à unidade. Calor e frio, bem e mal, noite e dia são simultaneamente múltiplos e unos, pois constituem metades indissociáveis de uma mesma realidade.

Ontologia. Monismo dinâmico. Tudo é parte de um único e fundamental processo. Tensão permanente entre os pares de opostos: permanente estado de fluxo [6]. Nada permanece fixo e estável. Tudo flui. Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. A contínua transformação está na essência de todas as coisas. As coisas são e não são ao mesmo tempo (estabelece identidade entre ser e não-ser). O arké é o fogo, tudo sai do fogo, se compõe de fogo, e se descompõe em fogo. Tudo é resultado da transformação do fogo. A perfeição das coisas depende da sua maior ou menor proximidade do princípio elementar (fogo). A transformação universal segue duas vias, que na verdade são uma só: via descendente (por condensação ou contração) e ascendente (dilatação ou rarefação). Dos diferentes momentos em que se encontrem as coisas no processo de transformação se originam os contrários, que são produto de duas forças antagônicas: agregadora (causa da unidade) e desagregadora (que causa a pluralidade de coisas existentes no mundo). A causa última das transformações do cosmos, e da harmonia universal que delas resulta, é a razão eterna. Esta é o logos que rege e governa todas as coisas, e por isso está presente em tudo. O logos é uma lei necessária, imanente ao fogo [5].

Concentra-se no Devir: tudo é vir-a-ser, tudo muda, tudo se transforma. Nada escapa do devir, que resulta de uma luta entre pólos opostos, entre contrários. A realidade é a renovada harmonia dos contrários, e essa harmonia geral é a suprema virtude (fluxo constante, movimento permanente, opondo-se à ideia de imobilidade de seu contemporâneo Parmênides) [1]. Mas a oposição clássica do Imobilismo de Parmênides ao ”panta rei” de Heráclito é um tanto esquemática [4].

O princípio de tudo é o [Fogo], que descendo vira água, terra e ar, e subindo volta a ser fogo [2].

Epistemologia. Felicidade. Ética. O homem tem dois instrumentos para conhecer, a sensação (que não merece fé) e a razão, esta sim critério da verdade. A moral se funda no logos. O homem que procura unir-se ao logos (através do conhecimento de si mesmo) torna-se sábio, bom e feliz. Para isso tem que percorrer a via ascendente da verdade e não a via descendente do prazer.

Religião. [Reencarnação]. A Alma que escolhe a 2ª via, no momento da morte deixa de existir. A que percorre a via ascendente, ao morrer, volta ao [Fogo] eterno [3]. Cosmos governado por logos divino; o logos é a lei universal que mantém o equilíbrio dos opostos e leva à unidade do universo [6]. A lei que regula a transformação , e causa a ordem e harmonia das coisas, é a razão universal, o Logos, que não é realidade transcendente nem inteligência ordenadora situada fora do mundo: é algo imanente, uma lei intrínseca, existente nas coisas, e que é o Deus único.

Metafilosofia. Critica a polimatia, acumulação excessiva de dados e conhecimentos não integrados, erudição [4].

Citações e comentários.

“O tempo é um reino governado por uma criança que brinca com ossinhos” (fragmento das obras de Heráclito) [4].

Expôs, 300 anos antes de Platão, uma ~f da evolução à moda de Hegel, Darwin, Spencer e Nietzsche. A mudança é universal e a energia é indestrutível e perene. Nada é. Tudo flui. Viu uma realidade que nunca diminuía, a qual chamou de ”[Fogo]”, que, para ele, devia significar “força” ou “energia”. No devido tempo, no fluxo universal, todas as coisas se transformam nos seus contrários: o bem pode se transformar no mal, a morte em vida. Os contrários são dois aspectos da mesma coisa; a força é a tensão dos contrários. “A luta é o pai e o rei de tudo; escolheu alguns para serem deuses e outros para serem homens; de alguns fez escravos, e a outros deu liberdade”. A luta é justiça, competição decidida sem apelação pelo supremo tribunal da natureza [7].


Notas e adendos:

[1] Epistemologia. Uma leitura mais moderna dos fragmentos do trabalho de ^ permite entender uma visão menos radical do devir: concedendo que há estabilidade mas por baixo dela existe o fluxo. Um rio é o mesmo rio de momento a momento por ser composto de água corrente. É que, como anotou Platão, se os objetos do conhecimento estão em constante mudança, isso torna o conhecimento impossível (A2014m).

[2] G99e.

[3] Mondin, B. (1981). Curso de Filosofia. São Paulo: Paulus.

[4] Durozoi, Gérard & Roussel, André (1996). Dicionário de Filosofia. Trad. Marina Appenzeller. Campinas: Ed. Papirus.

[5] Educatina.

[6] B2011f.

[7] D2012h 74.