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Husserl


vb. criado em 10/09/2014

Bio e suma: 1859-1938. “Toda a Consciência é consciência de algo”. Queria encontrar a certeza, libertar da dúvida a ~f. (e fundar todas as ciências numa base completamente segura, como a da matemática, que não depende de desmonstração empírica). Tudo o que é real é fenômeno, e aí está a essência das coisas. Não acredita numa realidade inacessível. Há somente o fenômeno ou a essência. Buscou um modo de pensar todos os tipos de realidade [3]. Relacionado com a Filosofia da mente.

Ontologia, Epistemologia. A ciência aspira à certeza, mas depende da experiência. Esta é sujeita a suposições e predisposições. Logo, experiência não é ciência. É preciso libertar a ciência de todas as suposições e predisposições (inclusive a suposição de que um mundo externo existe fora de nós) [1].

A Fenomenologia (abr. loc.: fn.) é uma investigação filosófica sobre os fenômenos da experiência; deixa de olhar para os elementos exteriores que cercam os fenômenos e passa a considerá-los em si mesmos, por seu reflexo na consciência, como única maneira de apreender sua essência (estrutura de sua significação). É o estudo dos fenômenos em si mesmos, distinto do estudo do ser, ou Ontologia [4].

A fn. é uma meditação sobre o conhecimento. Aquilo que é dado à consciência é o fenômeno (objeto do conhecimento imediato). Esse fenômeno só aparece numa consciência; portanto, é a essa consciência que é preciso interrogar, deixando de lado tudo o que lhe é exterior. É um método de redução, só a intuição pura é analisada; “princípio dos princípios”: toda intuição primordial é fonte legítima de conhecimento.

Metafilosofia. A tarefa da ~f é a pesquisa, exame e descrição do fenômeno, como conteúdo da Consciência. Mudança de sentido na orientação filosófica: não mais voltada para as coisas, para o mundo exterior, e sim para a consciência, o mundo interior. Epokhé: o ato de liberar a atenção do exterior para que ela se detenha na análise da vivência ou experiência pura. Esse conteúdo é antes suscetível de descrição que de medida [5]. Exime a filosofia de cuidar da explicação do mundo e das coisas. A ciência é que explica o mundo e seus aspectos acessíveis à nossa experiência.

comentários. A Fenomenologia de Husserl critica Kant: diz que o sujeito está lançado sobre a realidade, mas não num modo cognoscente, e sim existencial (assim também Heidegger e Sartre). A relação do sujeito com o mundo não é de conhecimento, e sim um a relação existencial. O que há é sujeito-mundo, consciência-mundo [2].



Notas e adendos:

[1] B2011f.

[2] Feinmann.

[3] V2013g.

[4] f. pr.: G99e.

[5] Será que isso tem relação com a oposição entre raciocínio quantitativo e qualitativo? V. nota [7] em Tomás de Aquino.