parent nodes:

AlbertoSantos.org       Capa   |   direito   |   filosofia   |   resenhas   |   emap   |   mapa   |   Busca



A palavra

“A Palavra” (Ordet, 1955) não é um filme sobre religião. É sobre fé, algo bem diferente. Fala sobre modos de ter fé, e a possibilidade de a fé reabrir os caminhos da vida, mesmo depois de uma grande tragédia, de um grande desencanto.

É um filme da época da guerra fria, do pós-guerras, do tempo do grande desencanto, do mundo em perplexidade, que teme o extermínio. E o autor afirma que, presente a fé, não a fé arrogante ou intelectualizada, mas a fé pura, ingênua, da criança (a fé que, dentre todas as retratadas no filme, é a que vence a morte simbólica), a vida pode recomeçar.

A ressurreição, assim como a morte, é simbólica: não é Inger quem morre e ressuscita, mas aquilo que ela representava no conjunto de personagens: a esperança, o otimismo, o amor para com todos, a felicidade simples, a vida verdadeira, o enlevo de viver.

Mas o autor não alardeia a fé num deus desta ou daquela seita, nem mesmo num ser transcendente. Não se trata de um filme sobre fé em Deus. A fé que Dreyer expressa é mais corajosa, mais temerária: é fé no homem. O filme afirma que, dadas certas circunstâncias ideais, o rancoroso pode perdoar, o arrogante pode aprender a humildade, o desesperado pode reencontrar a esperança, um homem pode amar o corpo e a alma de uma mulher, a pureza da criança pode influir nos corações cansados e endurecidos dos adultos.

Como o grande artista que é, Dreyer fala também de cinema, e quanto uma personagem diz que até na dor existe beleza, é do filme que está falando.


Páginas que tratam do tema ^: